segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Everwood


O SBT nunca foi tão feliz ao renomear uma série aqui no Brasil do que com Everwood ao a acrescentar o subtítulo Uma segunda chance. Por que é exatamente sobre isso que a série trata: ter uma segunda chance na vida. Todos os personagens, sem exceção, precisão e recebem uma segunda chance na história.

A série narra a vida da família Brown que deixa Nova York, após a morte de Julia, esposa de Andy (Treat Williams) com quem teve dois filhos Ephram (Gregory Smith) e Delia (Vivien Cardone) e vão morar em uma pequena cidade do interior do Colorado chamada Everwood. E lá eles tem suas vidas transformadas ao serem obrigados a encarar certas diferenças e resolverem certos conflitos antes deixados de lado.

Em Everwood eles conhecem todos os típicos personagens de cidade pequena, com seus preconceitos e personalidades características, mas outra família ganha destaque especial: os Abbotts formados pelo pai Harold (Tom Amandes), pela mãe Rose e pelos filhos Amy (Emily VanCamp ) - que é o grande amor de Ephram - e Bright (Chris Pratt) - que após umas desavenças no início acaba se tornando melhor amigo de Ephram.

A série é composta por quatro temporadas com qualidade variada. A primeira é indiscutivelmente a melhor, com um roteiro fantástico, que infelizmente vai perdendo a vivacidade e o fôlego durante os anos chegando a uma quarta temporada fraca e sem as ótimas situações do início. O desempenho dos atores sempre foi satisfatório, principalmente do elenco jovem. Sem contar nos ótimos personagens que conhecemos durante este tempo como: Nina (Stephanie Niznik), Dr Jack, Colin, Kyle, e muitos outros. Se tem uma coisa que eu adoro na série é o tema de abertura, uma pena foi eles terem mudado a arte de abertura na terceira temporada, gostava mais da primeira.

Mas, mais importante do que resumi a estória aqui para vocês, é dizer a mensagem que ela me transmitiu a de que em algum momento da vida, todos nós, precisaremos de uma segunda chance,., uma nova chance para recomeçar, para continuarmos de onde paramos. Uma nova chance para concertarmos os erros do passado para assim seguir em frente.

Mesmo que não possamos voltar atrás e mudar o que fizemos é possível se redimir e recuperar o tempo perdido.

Eu acredito que todos merecem o benefício da dúvida, porque poxa, às vezes as coisa que eu fiz foi por falta de experiência, porque não sabia lidar com aquela situação e deixei as emoções tomarem conta, fiquei tão empolgado, ou desmotivado que fiz exageradamente uma coisa ou deixei de agir em determinadas situações. Mas agora que aprendi, isso não vai mais se repetir. Prometo. É meio assim sabe. Que pena que a maioria das pessoas não estão dispostas a dar uma nova oportunidade, nem digo perdoar, mas tentar de novo. Assim como os personagens desta série maravilhosa foram capazes de fazer inúmeras vezes, porque não há vergonha em si admitir fraco ou errado, a vergonha está em não si saber fraco e errado, a continuar fazendo as mesmas coisas do mesmo jeito pra sempre. A mudança é bem vinda, mesmo ela chegando de forma tortuosa através das nossas quedas e das caras nos muros. Só precisamos mesmo de pessoas que nos acompanhe pelo caminho caindo e levantado, errando e acertando, de novo e de novo.

“Eu adoraria te dizer que tudo vai ficar bem. Isso é o que todo mundo me diz, mas não está. Voce pode ficar aqui ou você pode voltar. Qualquer caminho vai ser ruim. Mas eu descobri que pelo menos quando ficar ruim você sabe que está vivo.

Eu acho que o que eu estou tentando dizer é que está tudo bem quando tudo fica ruim. Isso significa que você está em algum lugar.”

Trecho retirado da série.

Everwood (EUA, 2002 - 2006). Drama. Cor. WB.
Criação: Greg Berlanti
Elenco: Treat Williams, Gregory Smith, Emily VanCamp, Vivien Cardone, Chris Pratt, Tom Amandes, Stephanie Niznik.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Preciosa

A vida de algumas pessoas são tão duras, fria e áspera que nos fazem pensar como essas pessoas conseguem levantar da cama todos os dias? Esta vida dura e nada agradável é a vida que Claireece Preciosa Jones leva. Ela mora com a mãe no Harlem em Nova Iorque. Ela é pobre, negra, obesa, feia, está grávida do segundo filho e sua primeira filha tem síndrome de Down e foi apelidada pela avó de Monga abreviação de mongoloide (filhos estes do próprio pai) sofre de abusos físicos, psicológicos e sexuais da própria mãe e ainda se descobre soro positivo. A esta altura você já deve estar se perguntando o que tem de bom na vida dela, esteja certo, não tem nada de bom nem de valioso na vida de Preciosa. Ela foi expulsa da escola e corre o risco de perder o auxilio financeiro do governo.

Então ela se pergunta, por que eu? Porque a vida dela não pode ser igual a seus sonhos em que ela é rica, famosa tem um namorado branco que a adora? Por que estes sonhos tem que ser a fuga e não a realidade?

De alguma forma Preciosa se sente motivada a ir para uma nova escola. Lá ela conhece a professora Ms. Rain que vai ensinar a Preciosa muito mais do que ler e escrever, vai ensinar a ela o valor e a importância de si mesma, ensina a Preciosa a ter auto estima. Ensina que ela pode vencer apesar de toda a pobreza que a cerca, pobreza de espirito, de carinho, de amore e claro de dinheiro.

Primeiro ela vence por si mesma, ela não quer mais viver de sonhos impossíveis, Preciosa vê que existe um mundo fora do apartamento apertado de sua mãe e que é possível se livrar de toda dor causada por ela.

Segundo por seus filhos que afinal de contas não têm culpa da forma como foram concebidos.

E terceiro por descobrir a verdadeira feição do amor, do carinho e da aceitação, longe de todo preconceito e da visão de mundo deturpada da sua mãe escrota (acredite este adjetivo não foi posto aqui por acaso, é escrota mesmo).

Do ponto de vista técnico o filme é um achado, foi indicado a 6 Oscar incluindo melhor filme, diretor, atriz, edição e saiu vencedor em melhor roteiro adaptado e atriz coadjuvante para Mo'Nique que faz a mãe de Preciosa.

A resposta da pergunta feita no início não é fácil de ser respondida, mas Preciosa nos mostra que mesmo cercada por tanta escuridão o nosso brilho não pode ser apagado tão facilmente, ele permanece lá esperando apenas alguém que saiba polir, como a professora Ms. Rain, e que a motivação para continuar batalhando na vida tem que partir de dentro de nós. Parece bem clichê eu sei, parece papo de livro de autoajuda. Mas não tem como assistir ao filme e não sair incólume da sua mensagem. Ver diante de seus olhos uma pessoa que sofre tanto e provavelmente vai sofrer mais, nos faz ter consciência de como temos sorte de não ser você ou eu naquela situação. E que para ajudar alguém você tem que estar disposto a ir até o fim. E que para vencer você não pode mourejar, vacilar, as pernas tem que estar firmes para aguentar o tranco porque quando ele vem, vem forte.

“O amor não fez nada por mim. O amor me bateu, me violentou, me chamou de animal, me fez sentir inútil, me fez adoecer!”

Trecho retirado do filme

Precious ( EUA, 2009). Drama. cor. 110 min.
Direção: Lee Daniels
Elenco:
Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton, Mariah Carey e Lenny Kravitz.

Notas: IMDb 7.4 de 10, Metacritic 79 de 100

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O Discurso do Rei

Gente vamos falar sério, mas quem sou eu para fazer uma crítica de um filme, né? Porém a partir do momento em que criei este blog e me dispus a falar sobre os filmes que eu assistia me impus a condição de ver filmes com olhos mais críticos e me basear na minha opinião e preferencia e não na de outros críticos por aí.

Então, não gostei de O Discurso do Rei, não achei que merecesse o Oscar de Melhor Filme de 2010, ainda prefiro A Rede Social e Cisne Negro. Mas não que O Discurso do rei seja um filme ruim, pelo contrário é muito bom e tem muita coisa boa também, eu só não gostei, não é o tipo de filme que me comove. Pra ser bem simplista o filme fala sobre superação. Albert Frederick Arthur George (Colin Firth), pai da atual rainha da Inglaterra, Elizabeth II, era o segundo na linha de sucessão do Rei George V (1865-1936), depois de seu irmão Edward (1894-1972), que após a morte do pai declina do trono por preferir se casar com uma mulher separada fato não permitido para um rei. Albert então assume o trono com o nome de Rei George VI. Mas por ser gago sofre imensamente por não conseguir fazer discursos à altura de um líder do povo como Hitler, por exemplo, em um período extremamente conturbado às portas da segunda guerra Para vencer a gagueira e a vergonha de falar em público Albert consulta vários especialista da fala e tenta uma infinidade de técnicas, mas é só ao encontrar Lionel Logue (Geoffrey Rush) com seu tratamento nada convencional que algum efeito começa a se fazer. Mas o que eu mais gostei na história foi a relação de amizade criada entre a realeza e a plebe pelo Rei e seu fonoaudiólogo.

As interpretações são um capítulo a parte Colin Firth simplesmente ganhou o Oscar de Melhor Ator, sem mais o que falar. Geoffrey Rush também dá um banho nas cenas em que aparece e Helena Bonham Carter não tem um papel muito grande, mas entrega uma esposa forte e convicta aos espectadores.

Enfim só pra encerrar este post curto gostaria de falar da superação do rei. O que Albert nos ensina é que para superar alguma fraqueza, seja ela de que espécie for: física, intelectual, financeira, etc, é preciso se esforça, ir um pouco além do que julgamos ser capaz, nos dar um pouco mais e nos entregar sem vergonha ou receio. E que superar não significa se livrar dos problemas, mas sim conviver bem com eles.

“As coisas que prometi ontem e hoje vou realizar e manter”

Trecho retirado do filme

The King's Speech (Reino Unido, 2010). Drama. Cor. 111 min.
Direção:
Tom Hooper,.
Elenco: Colin Firth, Geoffrey Rush, Helena Bonham Carter.

Notas: IMDb 8.3 de 10

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Chicago


Todos querem seus 15 minutos de fama e fica cada vez mais fácil conseguir isso, basta se tornar mulher fruta, entrar para algum reality show, tirar a roupa em local público ou postar um vídeo no youtube. Estamos na era da fama efêmera, aquela que some da mesma forma que apareceu, sem deixar rastros ou saudades. A supervalorização das celebridades (muitas vezes subcelebridades) é uma máquina rápida e que gera muito dinheiro.

E é isso que o filme Chicago traz a tona, mesmo se passando na década de 20 sua história talvez nunca tenha sido tão atual. Chicago conta a história de Roxie Hart (Renée Zellweger), uma mulher ingênua que sonha em ser uma famosa vedete, mas acaba assassinando o amante mentiroso, que prometia a ela mundos e fundo, mas não passava de um charlatão que queria apena leva-la para a cama. Roxie então é levada a uma penitenciaria feminina sob a direção de "Mama" Morton (Queen Latifah), uma mulher totalmente subornável. No mesmo pavilhão em que Roxie é colocada se encontra uma famosa vedete da época, Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), que foi presa ao matar a irmã e o marido depois de um flagrante de infidelidade. Velma, assim como muitas celebridades, sente-se no direito de ter tratamento especial pelo simples fato de ser famosa. Com a ajuda de mama e do advogado canastrão Billy Flinn (Richard Gere) Roxie, em uma tentativa de mudar a opinião popular e a livrar da forca, utiliza a imprensa para criar uma imagem favorável, tornando-a uma celebridade instantânea e adorada pelo povo. Para horror de Velma que vê sua popularidade cair drasticamente.

Ao transformar uma assassina em celebridade o filme nos questiona: será que celebramos as pessoas pelos motivos certos? Posso afirmar que não. Por mais talentoso que seja uma pessoa, quase nunca a valorizamos por isso, gostamos sim do produto criado pelo marketing, pela publicidade e pela mídia. Roxie e Velma que o digam.

Chicago venceu 6 Oscars, melhor atriz coadjuvante, figurino, direção de arte, som, edição e melhor filme- prémio este que um musical não vencia desde 1968, no entanto ele só foi possível devido ao sucesso de Moulin Rouge, que foi responsável por trazer de volta a vida os grandes musicais. O melhor do filme, é claro, são os números musicais principalmente os realizados pela Catherine Zeta-Jones, que está deslumbrante, dá um show, canta muito e dança muito e se mostrou a escolha certa para interpretar Velma, uma mulher talentosa, arrogante e muito sexy que depois de viver o auge da carreira passa por uma má faze. Catherine é responsável pelos meus dois momentos preferidos do filme: a abertura com And All That Jazz e Cell Block Tango. Gosto bem pouco dos números musicais da Renée Zellweger, sou implicado com sua voz pouco potente e anasalada, creio que haveriam atrizes melhores para o papel, até porque Renée não é lá um símbolo de beleza com aquele rosto sempre inchado. E não gosto dos números protagonizados por Richard Gere me incomoda tudo a dança e a voz (verdade seja dita que nenhum dos protagonistas chegou a surpreender e dar show como Nicole Kidman e Ewan McGregor em Moulin Rouge). O filme peca pelo roteiro pouco consistente devido ao grande número de canto e dança, que nem sempre agrega valor ao enredo, mas ganha pontos ao conseguir encaixar a parte musical de forma natural e sem quebrar o ritmo ou fazendo parecer forçada, as performances se passa na mente da protagonista Roxie onde tudo, aos seus olhos, faz parte de um show.

Conquistar a fama a todo custo se tornou algo tão natural a nós que nem questionamos mais a validade, a ética ou a moral de quem faz sucesso. E o que vemos hoje é que para se fazer sucesso é preciso cada vez menos escrúpulos, não só no mundo do entretenimento, mas também em carreiras corporativas. Como diz o slogan do filme: Se não conseguir a fama, seja infame.

“Sou sua amiga. Se algo lhe desagradar ou estiverem infelizes não encham meus ouvidos. Não estou nem aí.”

Trecho retirado do filme

Chicago(EUA, 2002). Musical. Cor. 109 min.
Direção:
Rob Marshall.
Elenco: Catherine Zeta-Jones, Richard Gere, Renée Zellweger e Queen Latifah.

Notas: IMDb 7,2 de 10