segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Chicago


Todos querem seus 15 minutos de fama e fica cada vez mais fácil conseguir isso, basta se tornar mulher fruta, entrar para algum reality show, tirar a roupa em local público ou postar um vídeo no youtube. Estamos na era da fama efêmera, aquela que some da mesma forma que apareceu, sem deixar rastros ou saudades. A supervalorização das celebridades (muitas vezes subcelebridades) é uma máquina rápida e que gera muito dinheiro.

E é isso que o filme Chicago traz a tona, mesmo se passando na década de 20 sua história talvez nunca tenha sido tão atual. Chicago conta a história de Roxie Hart (Renée Zellweger), uma mulher ingênua que sonha em ser uma famosa vedete, mas acaba assassinando o amante mentiroso, que prometia a ela mundos e fundo, mas não passava de um charlatão que queria apena leva-la para a cama. Roxie então é levada a uma penitenciaria feminina sob a direção de "Mama" Morton (Queen Latifah), uma mulher totalmente subornável. No mesmo pavilhão em que Roxie é colocada se encontra uma famosa vedete da época, Velma Kelly (Catherine Zeta-Jones), que foi presa ao matar a irmã e o marido depois de um flagrante de infidelidade. Velma, assim como muitas celebridades, sente-se no direito de ter tratamento especial pelo simples fato de ser famosa. Com a ajuda de mama e do advogado canastrão Billy Flinn (Richard Gere) Roxie, em uma tentativa de mudar a opinião popular e a livrar da forca, utiliza a imprensa para criar uma imagem favorável, tornando-a uma celebridade instantânea e adorada pelo povo. Para horror de Velma que vê sua popularidade cair drasticamente.

Ao transformar uma assassina em celebridade o filme nos questiona: será que celebramos as pessoas pelos motivos certos? Posso afirmar que não. Por mais talentoso que seja uma pessoa, quase nunca a valorizamos por isso, gostamos sim do produto criado pelo marketing, pela publicidade e pela mídia. Roxie e Velma que o digam.

Chicago venceu 6 Oscars, melhor atriz coadjuvante, figurino, direção de arte, som, edição e melhor filme- prémio este que um musical não vencia desde 1968, no entanto ele só foi possível devido ao sucesso de Moulin Rouge, que foi responsável por trazer de volta a vida os grandes musicais. O melhor do filme, é claro, são os números musicais principalmente os realizados pela Catherine Zeta-Jones, que está deslumbrante, dá um show, canta muito e dança muito e se mostrou a escolha certa para interpretar Velma, uma mulher talentosa, arrogante e muito sexy que depois de viver o auge da carreira passa por uma má faze. Catherine é responsável pelos meus dois momentos preferidos do filme: a abertura com And All That Jazz e Cell Block Tango. Gosto bem pouco dos números musicais da Renée Zellweger, sou implicado com sua voz pouco potente e anasalada, creio que haveriam atrizes melhores para o papel, até porque Renée não é lá um símbolo de beleza com aquele rosto sempre inchado. E não gosto dos números protagonizados por Richard Gere me incomoda tudo a dança e a voz (verdade seja dita que nenhum dos protagonistas chegou a surpreender e dar show como Nicole Kidman e Ewan McGregor em Moulin Rouge). O filme peca pelo roteiro pouco consistente devido ao grande número de canto e dança, que nem sempre agrega valor ao enredo, mas ganha pontos ao conseguir encaixar a parte musical de forma natural e sem quebrar o ritmo ou fazendo parecer forçada, as performances se passa na mente da protagonista Roxie onde tudo, aos seus olhos, faz parte de um show.

Conquistar a fama a todo custo se tornou algo tão natural a nós que nem questionamos mais a validade, a ética ou a moral de quem faz sucesso. E o que vemos hoje é que para se fazer sucesso é preciso cada vez menos escrúpulos, não só no mundo do entretenimento, mas também em carreiras corporativas. Como diz o slogan do filme: Se não conseguir a fama, seja infame.

“Sou sua amiga. Se algo lhe desagradar ou estiverem infelizes não encham meus ouvidos. Não estou nem aí.”

Trecho retirado do filme

Chicago(EUA, 2002). Musical. Cor. 109 min.
Direção:
Rob Marshall.
Elenco: Catherine Zeta-Jones, Richard Gere, Renée Zellweger e Queen Latifah.

Notas: IMDb 7,2 de 10

domingo, 6 de novembro de 2011

Supernatural - Sobrenatural


Supernatural (ou Sobrenatural) é uma série de TV do canal The CW estrelada por Jared Padalecki e Jensen Ackles que interpretam Sam Winchester e Dean Winchester respectivamente dois irmãos que percorrem os Estados Unidos em um Impala 67 caçando criaturas do céu e do inferno.

A história se inicia quando a mãe dos garotos é morta pelo demônio dos olhos amarelos logo depois de ele pingar sangue de demônio na boca de Sam, o que mais tarde traz consequências graves à ele, os pais deles, John Winchester passa então a caçar criaturas sobrenaturais em busca de vingança. Desta forma Sam e Deam crescem em uma rotina conturbada e cheia de perigos, já adultos os dois entram no negocio da família e tornam-se caçadores também.

A série é uma espécie de road movie com mistura de filme de terror, nas primeiras duas temporadas, principalmente, os autores utilizaram as lendas urbanas norte americanas como ponto de partida para os episódios, mas a medida que a série avançava uma mitologia própria foi sendo construída e enriquecida.

Apesar de todo o mistério sobrenatural que a série possui seu foco principal é mostrar o relacionamento entre dois irmãos bem diferentes um do outro que têm que conviver 24 horas por dia dentro de um carro e devem superar as brigas, as indiferenças e aprender a conviver com os defeitos de cada um. Os dois atores escolhidos para os papeis principais não poderiam ser mais perfeitos, Jared e Jesen ficam ótimos em seus personagens, os dois cabem direitinho, sem exageros e sem faltar nada. Talvez por serem muito bonitos e terem uma química em cena inegável, eu sinto no roteiro da série um subtexto homoerótico muito forte, na verdade não sou só eu que sinto isso, os roteiristas a toda hora brincam com este fato na série. Mas que os protagonistas são eroticamente dependentes um do outro isto eles são.

Acho a direção da série sempre competente, a fotografia também, só às vezes o roteiro deixa a desejar passando a impressão que eles se esqueceram de dar desfecho às histórias ou demorando muito para isso acontecer. Adorei alguns atores que entraram para papeis pequenos: como Mark Pellegrino que interpreta a primeira casca de Lúcifer, na minha opinião mil anos luz mais ator do que Misha Collins (Castiel). Mas enfim...

Ainda não vi a série toda, assisti até a 5° temporada, mas super recomendo.

"Todo mundo tem suas histórias tristes, então que se dane. Divirta-se, não tenha remorsos e viva a vida como se o mundo fosse acabar."

Trecho retirado da série.

Supernatural (EUA, 2005 - 2011). Suspense. Cor. The CW.
Criação:
Eric Kripke
Elenco: Jared Padalecki ,
Jensen Ackles

Notas: IMDb 8.7 de 10

sábado, 22 de outubro de 2011

A Identidade Bourne


Um homem é encontrado inconsciente no mar por um barco pesqueiro, com ele só ferimentos de balas e uma capsula com uma senha de banco da Suíça alojada em seu quadril. O náufrago acorda e não consegue se lembrar quem é, de onde veio ou o que estava fazendo para ser alvejado desta forma, mas descobre possuir talentos na área de luta, línguas (em uma cena memorável em que ele trava um diálogo consigo mesmo em frente a um espelho em inglês, alemão e francês) e auto defesa. Deixando-o, assim, mais intrigado sobre qual é sua real identidade. Ao chegar em terra firme ele embarca para Suíça a fim de verificar o que aquela senha guarda para ele. Para sua surpresa o cofre guardava passaportes de vários países, dinheiro, arma e um monte de apetrechos no mínimo incomuns para uma pessoa normal. Ele descobre, ao menos é o mais provável, que se chama Jason Bourne americano e mora em Paris, ao chegar no consulado americano de Zurique e fazer uma fuga espetacular ele conhece Marie, que por precisar muito de dinheiro, aceita os 20 mil dólares oferecido por Jason para leva-lo a Paris. O rastro de Bourne rapidamente chega a Langley, Virginia – EUA, sede da CIA onde está baseada uma operação clandestina chamada Treadstone, da qual Jason era o principal agente. Enquanto Bourne e Marie lutam para fugir do radar na França, Treadstone concentra todas as suas forças para segui-los e neutralizar Bourne da maneira mais rápida e eficiente possível.

Este é um breve resumo deste filme de ação dirigido por Doug Liman e que trouxe novidades para este estilo carente de novidades e revolucionou os filmes de espionagem. As cenas de perseguição de carros são incríveis, assim como as lutas muito bem coreografadas, estes dois se tornaram a marca registrada da franquia sem perder, claro, a coerência da história.

O filme também foi todo filmado na Europa, fato que dá um charme especial a produção e torna a trama internacional mais interessante.

Mas o principal do filme, é claro, é o astro Matt Damon sempre com uma interpretação segura, confesso que sou suspeito para falar assim afinal ele é meu ator preferido - sou muito fã tenho a filmografia dele toda e claro a partir de hoje vocês irão vê-lo muito por aqui - na atuação ele faz as transições entre os momentos de ação, suspense e de emoções mais profundas, como quando ele quer proteger as crianças, de forma convincente e nada afetada. Acho injusto ele nunca ter ganhado um Oscar de Melhor Ator - ele já tem Oscar pelo roteiro original do filme Gênio Indomável em parceria com o amigo Ben Affleck. Matt usou pouquíssimo dubles no filme tendo feito quase todas as senas de luta e de perseguição. Sua química com Franka Potente (Marie), seu par romântico na película, é inegável, daqueles que você torce por um final feliz.

É engraçado tomar consciência de uma coisa depois de ter visto este filme tantas vezes como eu vi, o fato de que o que motivava Jason a lutar e a querer se livrar do seu passado e seguir em frente com outra vida e com o poder de decidir o que fazer dela, não era só porque ele tomou consciência disso. Mas, e principalmente, porque agora ele teria com quem viver, com quem dividir a vida – por mais clichê que pareça e realmente é – era isso que dava forças a ele, alguém que passou por tanta coisa junto com ele, que viu as coisas horríveis que ele era capaz de faze e que soube sentir um calor por baixo daquela aparente frieza. Jason Bourne queria uma vida por ele e por Marie. E acredite é melhor ninguém se entrepor entre os dois, porque querido, ele sabe bater, e muito bem.

“Como posso esquecer de você? É a única pessoa que conheço.”

Trecho retirado do filme

The Bourne Identity (EUA, 2002). Ação. Cor. 118 min.
Direção: Doug Liman.
Elenco Matt Damon, Franka Potente, Chris Cooper, Julia Stiles, Clive Owen, Brian Cox.

Notas: IMDb 7.8 de 10 Metacritic 68 de 100

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Divinos Segredos


Histórias de mães e filhas têm-se aos montes, tanto no cinema quanto na Tv, e esta aqui infelizmente é só mais uma não traz nada de original nem revolucionário. Apenas uma filha que não compreende a mãe e vice-versa.

Em Divinos Segredos Sandra Bullock é Siddalee uma expoente dramaturga prestes a estrear uma nova peça na Broadway estraga sua relação com a mãe ao conceder uma entrevista a revista Time em que deixa a entender, e a jornalista completa, que sua mãe era meio desequilibrada e por isso não mantinha um a relação saudável com os filhos, principalmente na infância. Ao ler a entrevista Viviane Abbott (Ellen Burstyn) mãe de Siddalee, fica possessa e inicia uma batalha com a filha para ver qual das duas pratica o ato de maior desprezo (via correio) contra a outra. Para acalmar os ânimos de ambas entram em cena três velhas senhoras (as ótimas Fionnula Flanagan, Shirley Knight e Maggie Smith) amigas de Viviane, que juntas formam a Irmandade Ya-Ya para elas a única maneira de fazer com que mãe e filha voltem às boas é fazer com que Siddalee conheça a fundo o passado de sua mãe.

Daí o título do filme Siddalee passa a desvendar os segredos que cercam a vida de sua mãe para assim conseguir compreende-la, acredite os segredos nem são tão divinos assim. Principalmente o maior de todos os segredos, aquele que explicaria tudo e faria entrar tudo nos eixos, que no final das contas é apenas a revelação de que Viviane conviveu por muito tempo com uma crise nervosa. Resolver tudo com uma doença, neste caso, foi tão simplista e evasivo que não causa comoção, isso na verdade era bem previsível mas passei o filme todo torcendo para que o grande segredo me surpreendesse, não foi o que ocorreu.

O que eu espero ao assistir um filme sobre crises familiares é a cartasse, aquele momento de alívio emocional uma descarga de choro que acontece muito intensa e se vai rapidamente, em Divinos Segredos isso ameaçou acontecer várias vezes, mas o nó na garganta logo se dissipava me deixando só na vontade mesmo. Por isso, por muitas vezes, o filme se tornava chato. Ver tantos flashbacks deixou a história com aquele ar de quem disse muito, mas não chegou a lugar nenhum.


“Não se chega a lugar algum tendo medo o tempo todo”

Trecho retirado do filme


Divine Secrets of the Ya-Ya Sisterhood (EUA, 2002). Drama. Cor. 116 min.
Direção: Callie Khori
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Elenco: Sandra Bullock, Ellen Burstyn, Fionnula Flanagan, Shirley Knight e Maggie Smith.

Notas: IMDb 5.5 de 10 Metacritic 48 de 100